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sábado, 12 de maio de 2012

COMENTANDO ...II

A democracia é um sistema que garante que não seremos mais bem governados do que merecemos

Desta  forma de ironia, aparentemente ligeira, mas de um cinismo amargurado, Bernard Shaw diz, em poucas palavras muitas coisas de profundo significado:

- Diz que um povo inculto, destituído de cultura e de baixo nível de educação, tenderá sempre a escolher, não governantes que lhe garantam formas de decisão e projectos de governação sérios, bem estruturados, orientados por objectivos claros e muito adequados aos recursos e necessidades;

- Diz que, tanto assim é que quanto mais medíocres são os políticos mais eles apostam na demagogia para alcançarem o poder e menos se empenham na promoção cultural e cívica das populações;

- Diz porque é que, os maus governantes, substituem a formação pela diversão e o empreendimento de obras necessárias pela construção de obras de fachada;

-  Diz porque a esses políticos lhes é indiferente o bem-estar das populações porque, efectivamente, o seu objectivo maior é o de perpetuarem no poder;

- Diz porque é que são esses os governantes que aparecem mais ligados a decisões arbitrárias e a actos de corrupção.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Da ciclicidade da vida

"Nós estamos num estado comparável somente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma decadência de espírito", escreveu Eça de Queiroz nas "Farpas", em 1872.

Lida assim, descontextualizada, a frase de Eça faz-nos pensar se a História não será um eterno retorno, de tal modo determinadas situações e assemelham. 
Bem vistas as coisas há uma certa verdade nessa aparente repetição. De facto, as sociedades humanas não se desenvolvem linearmente  e muito menos em círculos fechados, voltando constantemente ao ponto de partida. O mais apropriado será pensarmos que a evolução, sendo contínua, se desenvolve espiralmente. Ou seja, tudo começa por uma fase de crescimento até atingir um ponto máximo, a partir do qual começa a declinar até ao seu desaparecimento. Mas o que parece o fim, é também o recomeço de um novo ciclo. 
O problema é que os fins de ciclos são tremendamente trágicos e dolorosos para alguns dos que têm de os viver.
Em tudo o que faz, o homem deixa a marca fundamental das sua existência: nascer; crescer; declinar; morrer.
A esperança consiste em perceber que se cada um de nós está condenado a desaparecer, os que se nos seguem poderão ter um viver cada vez melhor. Ora, o grande problema é conseguir acreditar nisso quando se está a viver um fim de ciclo como aquele em que nos encontramos nos tempos que correm. 

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Preto no branco


Não fui eu que escrevi, mas não me importaria de subscrever, palavra por palavra, ideia por ideia, o que a seguir transcrevo:

“A incomodidade de Crato face à excelência das instalações das novas escolas era evidente. Tão evidente quanto a de Passos Coelho na inauguração do ano escolar no distrito de Viseu. Muito mais do que o dinheiro necessário para assegurar a manutenção daquele tipo de escolas, percebe-se que o desconforto de um e de outro é acima de tudo ideológico: quem nada paga não deve ter direito a instalações tão boas. A excelência das instalações deve ficar reservada a quem tiver dinheiro para as frequentar, logo à iniciativa privada.
A tal liberdade de escolha de que o Ministro tanto falou só pode ser, como é óbvio, a liberdade de quem tem dinheiro. Quem tem dinheiro, escolherá o que é bom e pagará por isso. Quem não o tem, terá de contentar-se com o que lhe derem! Não será, por isso, exagerado vaticinar que a algumas das escolas públicas, nomeadamente as que estão dotadas de excelentes instalações, possa acontecer o que está acontecendo com outras actividades do Estado: serem entregues à iniciativa privada mediante um qualquer processo de privatização. Tudo dependerá das potencialidades do negócio…”
(In,  Post do blog Politeia de 21 de Setembro de 2011)

Já agora deixem-me só acrescentar que certos professores do ensino público, mereciam ser também eles privatizados para conhecerem as maravilhosas condições profissionais  que lhes estariam reservadas no ensino particular.