sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Ora bem: um comentário recente deixou-me a pensar. Pergunta-se aí: o que para mim estará bem em Campo Maior?
Primeiro que tudo, deixe-me dizer-lhe que me sinto pouco dotado para servir de elogiador de poderes estabelecidos sejam eles ocupados por quem for, ou seja qual for a maneira como estão a desempenhar a sua função.
Por outro lado, entendo como função cívica denunciar casos e situações, na esperança de que com isso esteja a contribuir para a melhoria do funcionamento das coisas públicas, no lugar onde vivo. Penso que assim, chamando a atenção para o que não vai bem, estarei a dar uma ajuda para que tudo melhore. Creio que não tenho sido agressivo, desleal, desonesto ou mal educado. Pelo contrário, o que tem acontecido é ter de aturar parvoíces e faltas de educação de gente que não entende que criticar não é ofender. Há até pessoas muito bem formadas que pensam que se deve desconfiar de quem sempre nos elogia e estar muito atento aqueles que bem nos criticam.
Espero com isto estar a responder à sua pergunta. Já agora, para satisfazer a sua curiosidade, sempre vou respondendo que considero que a piscina (de verão) está a funcionar em boas condições e que se verificou alguma melhoria nos espectáculos que têm sido apresentados nos fins de semana.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Surpresas de Verão

Há uns dias uns bons dias atrás, por razões sanitárias, vi-me numa bela manhã, em que até nem estava muito calor, dispensado do serviço. Sem saber muito em que ocupar o tempo, resolvi fazer uma coisa que há muito tinha projectado: visitar o museu do Largo do Barata. Qual não foi o meu espanto e dei com o museu fechado. Se não era segunda-feira, porque razão tal acontecia? 
Uma vizinha que por acaso passava, explicou-me que talvez fosse por os funcionários estarem de férias. Fiquei espantado porque me pareceu que não seria possível que um organismo como a Câmara Municipal gerisse tão mal o pessoal que, segundo consta, não é assim tão pouco, que deixasse que ,ao mesmo tempo  fossem todos para a beira-mar ou para outro sítio qualquer, tornando impossível a abertura do serviço. Ainda por cima, sendo esse um serviço que deve estar aberto numa época em que será mais natural haver visitas devido à presença de emigrantes ou de turistas.
Já que ali estava, em jeito de consolação, resolvi ir até à biblioteca que também nunca tinha visitado. Dei com o nariz na porta, sendo contudo horas da mesma estar aberta. Informaram-me que é costume a biblioteca fechar porque os funcionários vão tomar o seu café ali perto. Era uma questão de esperar e eles apareceriam. Francamente!... Surpreso e zangado, virei as costas, adiando as minhas visitas para outra altura em que os funcionários estivessem mais dispostos e disponíveis para manter os serviços a funcionar como devia ser de sua obrigação.


sábado, 28 de agosto de 2010

O que é a cultura?

Sei bem que, infelizmente, hoje o problema é geral. A todos os níveis, a política foi dando lugar a um oportunismo hipócrita em que a habilidade consiste em ir fazendo mais o que as pessoas querem, do que em propiciar-lhes aquilo de que elas verdadeiramente necessitam.
Se isto é verdade a nível dos países é, no entanto, muito mais evidente ao nível do poder local. Principalmente quando se trata de cultura. Se o povo quer entretenimento, os que ocupam os cargos políticos, esmifram-se delapidando os orçamentos para satisfazerem a gula popular por alarvidades, parvoíces e coisa de gosto tão imbecil quanto inútil. Já alguém que tinha grande interesse em elevar o nível cultural do povo disse, com muita clarividência que não é a arte que tem de descer ao nível do povo, é o povo que tem de subir ao nível da arte. Assim, com esta clareza, temos explicada a diferença entre propiciar cultura que serve para desenvolver e dar diversões pacóvias que servem apenas para estupidificar as pessoas.
Só por má fé ou por burrice se pode considerar que pensar assim é elitismo.
Já agora e a propósito: o homem que queria que o povo fosse elevado até à arte chamava-se Vladimir Ilich Ulianov, mas era muito mais conhecido pelo anexim de Lenine.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Esclarecendo

Com bastante ironia, um comentador apresentou um texto em que insistentemente repete "Faça as Festas, Sr. Presidente". Nesse mesmo texto, revela uma grande falta de paciência para os que ele acusa de estarem sempre a pressionar para que as Festas se façam. O seu alvo são os autores dos blogues que se têm referido ao tema das Festas.
Vamos lá esclarecer uma coisa: o autor deste blogue não considera que se tenham de fazer as Festas a qualquer preço. Elas devem ser feitas "quando o povo quer" e quando há condições monetárias para isso.
O que considera é que não podem os responsáveis da autarquia continuar a falar a toda a hora nas Festas e depois ficarem à espera que elas aconteçam por obra e graça do Espírito Santo. Das duas uma: ou falam e as fazem ou se calam de uma vez por todas.
Ficou clara a posição do autor deste blogue?
Convém esclarecer definitivamente que nada me move no sentido de exigir ou desejar que as Festas sejam feitas. Mais vale que elas não aconteçam, a serem feitas em condições tão deficientes que se venham a tornar uma grande desilusão e um grande falhanço. Uma das maneiras de matar definitivamente as Festas será precisamente a desastrada decisão de as fazer sem que haja as devidas condições para isso.

domingo, 22 de agosto de 2010

Festas do Povo

Não há dúvida de que o incitamento à realização das Festas do Povo, no próximo ano, foi o tema central da passada feira de Agosto. A sugestão de uma pequena rua ornamentada, o inquérito à população e a montagem, no fim do passeio, de uma zona de atendimento, com projeção de videos sobre as Festas, foram elementos de destaque.
Não há que censurar estas iniciativas. Antes pelo contrário. Mas, agora não podem os responsáveis pela Câmara entrar num jogo de "bate e foge" acerca deste assunto. Este incitamento foi entendido pela população como um compromisso e ninguém poderá aceitar que agora a Câmara se remeta a uma posição de esperar que as coisas aconteçam. Tem de desenvolver esforços, tomar a iniciativa para que as coisas venham mesmo a acontecer. E, com isso, não fará mais do que cumprir uma das suas obrigações. Tanto quanto pude ir sabendo, era a Câmara que, noutros tempos, tomava de facto a iniciativa de promover e apoiar a realização das Festas do Povo. 
Agora, penso eu, a Câmara deve ter atenção a que as coisas mudaram muito nos últimos tempos e, por isso, terá de pensar na melhor maneira de planear e realizar as Festas, de modo a adaptá-las às novas condições que se foram criando aqui, na vila de Campo Maior.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Comentando comentários

Meus caros comentadores:
Já me sinto mais consolado por encontrar em vocês eco para as minhas frustrações no que respeita a estas coisas a que aqui, em Campo Maior, se teima em continuar a chamar cultura. No fundo, nem sequer chegam ao nível do simples entretenimento porque, na verdade, estão todos tão entretidos com as suas conversas tão barulhentas de som como vazias de sentido que não se entretêm nada com o que está a acontecer em termos de espectáculo. Aquela gente vai para ali fazer o mesmo que faria se não houvesse espectáculo nenhum. Ou seja, vai apenas passar tempo.
Por isso, não vejo razão para pruridos de elitismo quando reclamamos por nos serem impostas situações destas, a nós, os que gostávamos que os espectáculos o fossem para que a verdadeira cultura acontecesse. Claro que estou a falar da banda e não das barulhentas pimbices que nos vão impingindo. Temos todo o direito de mandá-los entreter-se com essas coisas onde bem entenderem mas, na condição de que nos deixem em paz quando os "entretenimentos" não lhes dizem respeito. Isto não é elitismo, mas realismo. Concordo que mais vale pagar e ter qualidade do aguentar o suplício de estarmos perante coisas com valor mas às quais nos impedem de assistir em condições decentes. Acho que o exemplo do espectáculo de Teresa Salgueiro, no belo espaço da nossa Praça, foi bem elucidativo disso. O recado para os responsáveis autárquico é muito bem dado. Diz-se por aqui um provérbio muito adequado: ovelhas não são para matos. E, na verdade, se nem todos são para tudo, nem todas as coisas se podem destinar a todas as pessoas.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Resposta a um comentário

Sei bem que estamos a viver num tempo em que a boa educação e o respeito pelos outros não têm, para a grande maioria das pessoas, qualquer valor. Vale tudo e a boçalidade é hoje coisa que se exibe sem qualquer vergonha. Mas, aquilo que você, Anónimo, escreveu como comentário ao último post, está abaixo de cão. Por isso, não foi com intenção de censura que o apaguei imediatamente. Foi porque, dar-lhe publicidade, seria tornar-me cúmplice da sua má educação, da sua falta de sentido de dignidade e de decência. Divulgar insultos e calúnias é dar a conhecer o que não deve ser conhecido, é dar voz a quem melhor faria se tivesse ficado calado.
É um facto que, as condições em que a banda se exibiu na passada 6ª feira, foram muito más. Mas a culpa foi do maestro e dos músicos, ou daquela triste assistência que já nem sabe estar a assistir a um espectáculo? Aquela gente fala em voz alta, grita, deixa as crianças gritar desalmadamente. Como é possível que, em tais condições, um concerto decorra normalmente?
Aí tem você a prova maior de que o dinheiro gasto a destruir o velho coreto e o dinheiro aplicado para fazer o novo, foi dinheiro lançado em saco roto. Hoje não há condições para fazer concertos em coretos ao ar livre. Agora, os que são bem feitos, são os que se fazem em espaços fechados como os centros culturais. Aí só vai quem está mesmo interessado em ouvir.
Aquela obra foi uma coisa completamente estúpida em termos de interesse público. Estou convencido de que só foi feita devido à pouca inteligência de uns e à grande ganância de outros. Esta é uma convicção e dela só desistirei perante prova em contrário.
O que aconteceu durante o concerto da banda foi muito mau? Foi. Aí tem porque é que os concertos ditos "pimbas", não sofrem do mesmo mal: é porque eles põem o som tão alto que abafam qualquer barulho; por isso, às tantas, já nem é música aquilo que fazem, mas um barulho quase insuportável. 
Ora, uma banda não pode nem deve recorrer a semelhantes processos. Daí a razão porque as bandas devem evitar as exibições em coretos.

sábado, 14 de agosto de 2010

Regresso

Cheguei ontem de férias e encontrei a vila algo alterada no seu viver habitual. A Feira de Santa Maria teve este ano algumas diferenças de roupagem. Andei pelo jardim e à noite ainda me deu para espreitar a actuação da banda. Se não estou em erro, foi esta a segunda vez que actuou naquele espantoso monumento que é o coreto. Por este andar, vão ser precisos muitos anos para que se justifique o balúrdio de dinheiro que ali foi enterrado. Que saudades do antigo coreto, pequeno, humilde, mas tão carregado de história que devia ainda hoje fazer parte do nosso património.
Gostei da ideia da feira de artesanato. Aí está a cultura popular, sem se entender por isso que tem de ser barulhenta manifestação de músicas, danças e cantares de gosto por vezes muito discutível. Como o espectáculo foi na noite anterior, não vou dar opinião sobre isso.
Gostei da ideia da ruazinha a evocar as saudosas Festas. Mas, tenho de confessar que a qualidade dos ornamentos fica muito aquém do que estamos habituados a ver nas nossas festas. Há ali qualquer coisa que mostra pressa e pouco cuidado na realização. Há encenação mas não há arte. Falta o apuro e a delicadeza que costumamos associar às flores de papel que são feitas em Campo Maior. De qualquer modo, valeu pela ideia de fomentar o desejo das festas.
Claro que a feira em si deixa muito a desejar. Qualquer dos mercadilhos é  mais rico de oferta do que o que está exposto na Avenida. A ideia de abrir um espaço no lugar do antigo parque infantil é bem achada.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Tempo

Aqui, à beira mar, o tempo não parou, porque o tempo nunca pára. O tempo é contínuo e não tem fim. O tempo nunca muda. O que muda é a consciência que temos dele.
Como estão a ver, o tempo mudou-me bastante, pois pôs-me a filosofar neste tempo de férias que estou a viver. Sem tarefas nem obrigações a cumprir, tive tempo para me pôr a reflectir sobre coisas que não me passam pela cabeça quando estou entregue à rotina dos dias de trabalho que é, no resto do ano, a minha vida de todos os dias.
Mas, as férias estão a chegar ao fim. Começo já a ter pena de ter sido pouco o tempo que tão lento me tem parecido, quase parado. Mas que agora se apressa por ter a noção de que está a chegar ao fim. Por isso, o tempo me parece cada vez mais rápido.
Daqui a pouco lá estarei entregue à minha vida de sempre. A vila que é o ambiente normal da minha vida lá estará para me receber com os seus problemas que daqui me parecem tão pouco importantes.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

À laia de esclarecimento

Gostaria que não entendessem mal o meu texto anterior. Para claro entendimento deixem-me esclarecer o seguinte, antes que embandeirem em arco julgando que eu me coloquei sob este ou aquele estandarte ou passei a defender qualquer tipo de extremismo mais ou menos fundamentalista. 
Em primeiro lugar, considero qualquer tipo de racismo uma aberração. Ninguém é mau ou perfeito em função de uma qualquer pretensa raça ditada por esta ou aquela cor de pele. Nada me move contra os ciganos por serem ciganos. Mas não aceito que qualquer pessoa, mesmo que cigano, se torne uma parasita social, ou um agressivo marginal, recorrendo à violência e ao furto para não fazer aquilo que todos fazemos - trabalhar.
Também não aceito que o Estado subsidie vadios de má índole que ficam completamente livre para magicar e praticar todo o tipo de vandalismos.
Diz o povo e com muita razão: quem não trabuca, não manduca. Esta afirmação contém uma grande verdade. 
Em segundo lugar, não tenho feitio para aceitar os angelicais argumentos de todos os fundamentalistas de lado contrário que entendem que tudo deve ser consentido e perdoado aos coitadinhos dos que pertencia a esta ou aquela minoria étnica.
Entendo também que os ciganos, enquanto pessoas, tinham todo o interesse e vantagem em se integrarem tanto quanto possível nas comunidades em que vivem.
Sabem uma coisa que meu pai me costuma dizer? Diz ele que os ciganos já foram gente decente e muito bem aceites, noutros tempos, aqui em Campo Maior. Assim ganhavam todos.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Verão quente

Apesar de ainda estar a gozar as minhas (merecidas) férias, não deixo de acompanhar a blogosfera campomaiorense. Assim vou sabendo algumas novidades. 
O Verão que se apresenta muito quente, parece estar também a aquecer no que respeita ao problema de sempre: os ciganos instalados no Mártir Santo. A indignação sobe de tom e começam a aparecer posições radicais que apontam para soluções de muita violência. 
É tempo das autoridades tomarem medidas mesmo a sério, antes que aconteça alguma coisa de muito  mais grave do que aquilo que se tem verificado. Tudo passa por exigir que os ciganos cumpram as leis e se tal não acontecer que sejam punidos por isso. Isto quer eles continuem no Mártir Santo, quer os levem para qualquer outro lado. 
Exige-se às autoridades políticas e policiais que cumpram o seu dever

terça-feira, 20 de julho de 2010

E, finalmente, as férias...

Nada como a distância para nos fazer compreender como são pequenos certos problemas que costumamos empolar, no nosso dia a dia.
Daqui, tudo me parece agora muito diferente. Nada como o quebrar das rotinas para nos colocar numa maneira diferente de olhar para as coisas da vida. Daqui, de onde estou, posso relativizar tudo o que me ocupava o pensamento. E, posso sobretudo deixar o espírito livre para me dedicar a novas observações, novas relações e novos pensamentos.
Para que o corte seja ainda mais acentuado, combinemos deixar, por algum tempo, suspenso este nosso diálogo.
Até ao meu regresso!

domingo, 18 de julho de 2010

Para onde nos estão a arrastar?

Ouvindo as pessoas duma geração anterior à minha, fui ficando com a impressão de que há duas ou três décadas, houve em Portugal governantes dotados de capacidade política para pensarem projectos e gerir situações. Homens que se orientavam por doutrinas, convicções e ideologias, que transmitiam às pessoas ideias claras sobre o que pretendiam realizar.
Os políticos de hoje dão a impressão de que vão ao sabor das circunstâncias, recorrendo a artimanhas e astúcias, com uma única preocupação: alcançar e conservar o poder.
A crise que vivemos, dá a impressão de que, antes de ser económica e social, é uma crise de consciência, de princípios e valores morais. Na base de tudo está uma crise de ideias. Não há nem convicções, nem vontade da parte dos que têm a responsabilidade de governar.
É desesperante a impotência que sentimos face a esta crise que dizem global, mas que nós sentimos como essencialmente nacional. Nunca como hoje nos sentimos tão inseguros, perante os poderes ocultos que determinam as nossas condições de vida. Há uma descrença crescente, devido à falta de confiança que nos transmitem os que exercem o poder político. Já não sabemos quando estão a falar verdade ou quando continuam apenas a mentir.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Que situação é esta?

Cansado do que por aqui se vai passando, ou melhor, desencantado porque aqui não se passa nada que mereça a pena ser sublinhado, resolvi dedicar maior atenção ao que se vai passando por este país.
A crise continua, não sabemos até quando. Neste capitalismo de presas e predadores, tem-se a impressão de que estes são tão insaciáveis e vorazes, nem reparando que, qualquer dia, já não haverá mais nada para devorar. 
O Governo parece ir numa corrida louca, adiando uma inevitável derrota. Aquilo que está a fazer já não são cortes: são amputações porque tira cegamente sem critério, retirando aos mais fracos o que é essencial para a sua sobrevivência.
Ouvindo os mais velhos, tenho a impressão de que deixou de haver autênticos políticos. Parece que os governos se limitam apenas a passes de mágica mais ou menos contabilísticos. Tudo indica que estamos a ser governados por pessoas que não têm uma ideia clara da situação, nem sabem como a resolver. Em vez de remédios e tratamentos adequados, recorrem apenas a truques e a mezinhas. 

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Política e politiquice

Tenho um amigo com uma tal aversão à política que se recusa terminantemente a tomar partido contra seja o quê ou quem for. Julgo que a posição radical que tomou está errada. Mas, costumo respeitá-la e nunca conduzo as nossas conversas nesse sentido. 
Com minha surpresa, no outro dia estava tão furioso que começou a protestar contra o descaramento e a falta de carácter de certas pessoas, referindo-se a uma situação que, no essencial, era muito política. Em resumo, e procurando seguir as suas palavras, foi dizendo o seguinte:
- Que não se podia admitir que fulanos, sempre que se reuniam, era para achincalharem uma personalidade local que exerce um cargo político de destaque e o faziam em termos chocantes, uma vez que essa personalidade muito os beneficia em termos de ganhos e de destaque que por ela lhes é conferido;
- Que sempre se dirigiam a essa pessoa designando-a em termos ofensivos e de grande desprezo e desconsideração, como a anã, a coisa pouca, o clone e a cortiça.
- Que por si próprio, tinha compreendido o significado dos primeiros termos, os quais são muito ofensivos, mas que lhe tinha escapado a razão de ser do último e perguntara, tendo-lhe sido explicado o porquê; 
- Que a cortiça significava a maneira como a dita pessoa tomava decisões, ou seja, vinha um e dava a sua opinião e ela dizia que sim; vinha outro e dava outro parecer e ela concordava. Portanto, tal como a cortiça, andava ao sabor das ondas.
Dizia o meu amigo que a falta de carácter de certa gente não conhece limites e usava expressões tradicionais com que procurava traduzir o desprezo que lhe provocava esse tipo de gente. Expressões como: cuspir no prato onde comem; morder na mão que os afaga; comer a minhoca e c... no anzol. 
Acho que o meu amigo tem razão. Só é pena que ele não entenda que política é isto que ele faz, censurando a imoralidade dos que ele pensa que fazem política, quando efectivamente, estes fazem uma coisa completamente diferente a que podemos chamar: trafulhice, aldrabice, traição, mau-carácter e outras coisas que caracterizam o modo de proceder a que devemos chamar politiquice. 

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Calores e afrontamentos

Começou tardiamente a época dos grandes calores de verão. Não tivemos aquele período de adaptação a que chamamos primavera. Andamos encalorados e temos tendência para desacelerarmos de tal modo a nossa actividade que parece que nos movemos à velocidade do caracol. 
Contudo, pelo que tenho ouvido, um pouco por todo o lado, há um  afrontamento a juntar-se ao calor do clima que é o que está a ser sentido para os lados do PS. Parece que as pessoas andam afogueadas porque não entendem o caminho que está a ser seguido, em certos aspectos, pelos responsáveis pela gestão da Câmara. Se no domínio dos planos para o futuro, parecem existir ideias e estão em marcha alguns projectos, no domínio da chamada cultura, parece reinar a desorientação e o descontentamento. Isto a mim alivia-me porque, afinal, não sou o único a pensar que nada mudou e que estamos, provavelmente, pior do que antes. Eu, tenho para mim que pior do que antes é impossível, mas sinto que, de facto, estamos a ser confrontados com mais do mesmo. Também, como não? Se atentarmos bem, verificamos que são as mesmas pessoas que estão a decidir e a promover as actividades ditas culturais. Ou seja, a situação é a de que, na verdade, nem as moscas mudaram.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Exemplos de cultura local

Tive de cumprir uma promessa que tinha feito à minha tia e à minha priminha. Prometera que iria ao Centro Cultural acompanhar a primeira e ouvir a segunda na apresentação do espectáculo baseado no conjunto de flautas, dirigido pelo professor Vasco Pereira. 
Tinha feito uma primeira tentativa quando se apresentaram na feira das escolas. Dela vim muito arreliado porque, com a barulheira e a falta de educação dos assistentes, não me permitiu ouvir qualquer som. Lá me convenceram que agora era diferente e ainda bem que o fizeram. Entre as razões que me apresentavam, pesou muito a da minha priminha que parava de elogiar a paciência do professor, embora fosse dizendo que ele é muito exigente e não consente brincadeiras. Quanto à minha tia, o facto de eu perceber que lhe dava jeito a boleia, também pesou bastante.
Confesso que dou a mão à palmatória. Foi bom ter-me deixado convencer. O que vi e ouvi foi muito agradável e merecedor de todo o apoio e dos maiores elogios. Se foi muito perfeito ou não, não interessa mesmo nada. Interessa é ver crianças desta terra empenhadas em tocar músicas que vão desde os tempos mais antigos, até à actualidade e da música clássica à musica popular.
É a segunda vez (a primeira foi a da Universidade Sénior) que sou surpreendido por realizações levadas a efeito nesta terra e de que, infelizmente, tão pouco se fala. Esta última nem sequer vinha no folheto que é distribuído pela Câmara que não lhe fez qualquer publicidade. 
Se isto não é dar pouca importância à cultura local, então não sei como lhe devo chamar.

sábado, 3 de julho de 2010

Que critérios são estes?

Geralmente, obrigo-me a, na medida do possível, observar o que, no domínio da cultura, se vai fazendo em Campo Maior. Tinha passado pelo Centro Cultural para ver uma exposição que lá tem estado aberta ao público. Não me provocou grande entusiasmo, sobretudo depois de ter visto a que anteriormente ter sido feita no mesmo local e na Biblioteca sobre a obra de Andersen, escritor dinamarquês. 
Mas, disse para mim mesmo que as coisas acontecem de tal modo que umas correm melhor outras pior. 
Acontece que, levado pelo entusiasmo de uma familiar que tenho em grande estima, fui ver a exposição que mostra o que foi feito ao longo de um ano na Universidade Sénior de Campo Maior. Ora, aqui é que bate o ponto: então o Centro Cultural expõe coisas vindas de fora e ignora coisas de muito mais qualidade feitas aqui na terra? Como se admite que a obra que está a ser feita por esta instituição fique fora do interesse dos responsáveis pela cultura desta terra?
De facto, temos de concluir que algo não vai bem neste recantozinho encostado à raia de Espanha.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Filhos e enteados?

Diz uma senhora, que estava à esquina a ver passar as marchas:  
- Olha! a nossa marcha!
Pergunta-lhe outra; 
- Mas nossa porquê? 
Responde a primeira:
- Então, porque é a Centro Comunitário!
Ao que a outra respondeu, com algum escândalo:
- E eu a julgar que eram todas nossas e todas apoiadas pelo Centro Comunitário.
Significa o quê este diálogo? Que uns foram filhos e outros enteados? Que houve marchas apoiadas pelos que são pagos pela Câmara e outras não? Que umas foram beneficiadas com subsídios e outras não? Afinal, o que é que se passa em termos de política cultural nesta terra? 
Palavra que gostava que me fossem dadas respostas porque estou baralhado: nem os critérios, nem a orientação da acção que tem estado a ser desenvolvida pelo pelouro da cultura são muito claros. Com toda a sinceridade que não vejo diferença em relação ao que antes era feito. E isto parece-me tão pouco aceitável que chego o pôr em dúvida a minha capacidade para avaliar certas situações. É que me custa muito acreditar que aquilo que está a ser feito é, afinal de contas, apenas mais do mesmo... Então, para quê tanto barulho?
Será que houve aqui um enorme erro de "casting" e foram escolhidas pessoas que não têm qualquer competência para mudar as coisas?
Para finalizar, gostaria de saber o que se tem gasto com esta chamada política cultural.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Efeméride

"Vai ser inaugurado no próximo dia 28, Domingo, pelas 10.30 horas, o Complexo de Piscinas Cobertas da Fonte Nova, numa cerimónia que será presidida pelo Presidente da Câmara Municipal de Campo Maior, João Burrica, o Presidente do Conselho de Administração da Campiscinas, S.A., Dr. Rui Pingo, e pelo Sr. Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Dr. Laurentino Dias.

"Durante a cerimónia de inauguração vão decorrer algumas demonstrações das modalidades que vão estar ao dispor de todos os utilizadores do complexo.

Esta infra-estrutura, pioneira em toda a região do Alentejo, vai contar com uma piscina semi-olímpica, uma piscina de aprendizagem com rampa de acessibilidade para pessoas de mobilidade reduzida, e duas salas totalmente equipadas para os diferentes tipos de actividades desportivas como aeróbica, cardiofitness, halterofilismo, entre outros. O complexo conta ainda com uma zona dedicada ao bem-estar e lazer com sauna, banho turco e jacuzzi.

Além das benesses a nível desportivo, este complexo conta ainda com vários espaços ajardinados interiores e exteriores, fáceis acessibilidades e estacionamento, zona de bar e restauração, serviço de babysitting e ainda uma bancada com capacidade para 288 pessoas."
(Notícia no Portal da Câmara Municipal de Campo Maior)


Parecia tudo tão fácil, não parecia? Tudo muito bem, muito lindo, na santa paz dos anjos. E as eleições à porta... E agora? Já sabemos a realidade desta situação. O grande imbróglio que foi criado e deixado à actual gestão municipal.

Parece que, ao fim e ao cabo, não passa de mais um elefante branco neste país onde se tem gasto o dinheiro que se não tem em obras de fachada. Ou será que por detrás delas terão existido outros interesses menos confessáveis?


sexta-feira, 25 de junho de 2010

Alterações

A vida tem destas coisas. Às vezes as que mais correspondem aos nossos desejos, acabam por trazer grandes alterações às nossas rotinas. Acontece que novas responsabilidades profissionais trazem maior ocupação de tempo e novas preocupações. Assim sendo, fica reduzida a disponibilidade para outras actividades. A assistência que dava a este blogue e que muito me divertia, fica reduzida. Neste momento, nem sei avaliar quanto. A periodicidade de postagens vai ser menos frequente.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Velhos tempos


O interesse do texto que a seguir se transcreve, é enorme se atendermos ao valor que tem como testemunho de um tempo que, hoje, pode parecer de outro mundo, para aqueles que têm menos de trinta anos. Era assim a vida das gerações anteriores. O texto testemunha um tempo em que nas famílias havia consideração, solidariedade e muito afecto entre os mais novos e os mais velhos. O egoísmo que hoje parece predominar, era a excepção e indicava a má índole de quem o adoptava como regra de comportamento.
Com a devida vénia aqui publico uma parte do texto que pode ser lido na íntegra, aqui.

" Era um céu alto, sem resposta, cor de frio, aquele que um dia olhei quando foi necessário decidir se ia ou não para o liceu, por ter terminado a escola primária. Eu queria e não queria ir. Queria, porque desejava muito continuar a estudar, visto ser bom aluno e pretender, no futuro, alcançar uma carreira de que muito gostava, ser professor. Por outro lado, não queria continuar a estudar, para não tornar mais pesada a vida de meus pais que, coitados, mal ganhavam para comer e que, com o meu ingresso no liceu, que distava alguns quilómetros da minha aldeia, não lhes chegaria o dinheiro para matar a fome.
E, como o céu não respondeu tive de decidir. Resolvi não ingressar no liceu, porque as portas estavam fechada, para mim e para outros como eu, devido aos malefícios da injusta sociedade fascista que, da insuficiência de subsistência não nos livrava..."
( Texto publicado no Blog Alcino Cirilo, Domingo, 13 de Junho de 2010)

Quantas foram as vidas adiadas? Quantos foram os projectos de vida que abortaram em nome de uma visão absurda, cega, fora do tempo e da razão, a que chamavam estupidamente Pátria e que mais não era do que a cruz onde crucificavam os seus concidadãos?
E quantos, ainda hoje, rezam pelo mesmo livro?
Malditos os que agem contra o que deve ser o justo entendimento das coisas!

sábado, 19 de junho de 2010

Saramago morreu

Morreu o homem que foi chamado de José. Mas o escritor José Saramago, continuará vivo por muitos e muitos anos. Os grandes escritores não morrem. Ficam para além da morte porque a sua obra os faz viver num tempo que é muito maior que o tempo da sua vida.
Dizem de José que foi um homem integro porque se assumiu inteiro na coerência das suas crenças e coragem da defesa das suas convicções.
Mas o povo que nunca rejeitou, mas que o não soube inteiramente amar, nem defender, tornou -lhe pequena a terra que tanto amava. Por isso partiu para sempre regressar. Mesmo agora depois que morreu.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Os Videirinhos

Julgam-se especiais por terem feito opções que não são as habituais. Julgam-se espertos porque enganam e porque se aproveitam de todos os tolos e tolas que lhes passam ao alcance e se põem a seu jeito.
São pouco cultos e entretém-se a produzir enfeites como se de verdadeira arte se tratasse. Na maioria das vezes, as habilidades que exibem como artísticas não passam de arrebiques de gosto muito discutível. No fundo, não têm nem saber, nem grande jeito, porque aquilo que parece gosto, lá bem no fundo, não passa de trejeitos e de imitações de pouco valor.
Os Videirinhos não são censuráveis pelas escolhas de vida que fizeram ou que lhes calhou em sorte, devido à sua natureza. Mas são censuráveis por não terem carácter, por viverem de vigarices e trapaças, por desdenharem de tudo e de todos, sobretudo daqueles que conseguem dominar e manter sob a sua influência. A esses, exploram-nos com a sua insaciável ambição de vantagens e proveitos. 
Infelizmente, haverá sempre criaturas desajeitadas e idiotas deslumbradas para sustentarem os vícios, as vaidades e as maldades dos Videirinhos deste mundo.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Diferentes modos de ver as coisas

Há empresários que reduzem a sua função e as suas obrigações à maneira mais simplificada que existe de as entenderem. São, no fundo e apenas, simples sacadores de lucros e acumuladores de riqueza. Por isso, mantêm uma atitude de insensibilidade e de total indiferença perante as questões sociais. Chama-se a isto "capitalismo selvagem".
Outros empresários conseguiram entender que o grande segredo da economia capitalista mais evoluída consiste em os empregadores entenderem que, concedendo aos trabalhadores condições de emprego com salários aceitáveis, em troca estes deixam de fazer demasiadas reclamações e tornam-se menos dispostos a aceitarem propostas políticas muito radicais. A este entendimento, chama-se "sistema de concertação social" que exige delicadas e complexas negociações. 
Também na política, acontece haver políticos que não entendem bem a sua função. Metem-se no meio deste conflito com propostas estranhas e acabam por estragar tudo. Na ânsia cega de conseguirem manter  o poder, acabam por fomentar conflitos em que já não se trata de uma luta entre ricos e pobres, mas  de uma coisa absurda que consiste em fazer do poder politico uma arma de ataque ao poder económico. Ora, isto resulta quase sempre numa de duas coisas: ou o poder económico é mais forte mete o poder político na ordem, ou o poder político é usado para outros enriquecerem à sua custa. E isto é, na maior parte dos casos, a razão de ser das grandes corrupções que se verificam, sobretudo a nível do poder autárquico.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Que cultura?

É  triste constatar que, em muitas autarquias, se propagandeiam certas actividades de gosto e de utilidade muito duvidosos, intitulando-os de política cultural. Em quase todas, há mesmo departamentos a que chamam da cultura mas que, efectivamente, se limitam a funcionar como centros de promoção e realização de actividades  a que  se tornou moda chamar eventos. O mais grave são os recursos financeiros que são consumidos nessas realizações. Como são coisas de pouco ou nenhum valor em termos culturais, dos quais não se tira nenhuns proveitos, deles nem sequer fica grande memória. Acabam por ser apenas sorvedoiros de esforços e de dinheiro. 
Ainda por cima, há a tendência de chamar a isto cultura popular, o que ainda complica mais a questão. A cultura popular é um assunto sério que tem de ser bem analisado. O que muitas vezes se faz é inventar umas titaradas e chamar-lhes cultura popular. Ora, a cultura de uma comunidade é a melhor maneira de compreendermos como evoluiu ao longo do tempo. Não porque ela se limite aquilo que conseguiu realizar no passado. Mas porque isso pode mostrar se tem ou não capacidade para dar resposta às necessidades e aos problemas que tem de enfrentar no presente. 
Em Portugal nunca se falou e exaltou tanto o passado como no regime salazarista. No entanto, como era um passado inventado, nunca o nosso país foi tão pobre do ponto de vista da cultura. O mesmo acontece hoje com certas políticas culturais a nível das autarquias e é triste verificar que, em plena democracia, existam práticas políticas que estão a empobrecer culturalmente o nosso povo. Em princípio, isto não anuncia nada de bom.
 

domingo, 13 de junho de 2010

Para reflexão

Não pude resistir à tentação de partilhar com os leitores deste blogue, o texto que se segue, da autoria do escritor moçambicano Mia Couto. Entre outras coisas, diz o que alguém já tinha dito de outro modo: "são precisos muitos pobres para fazerem um rico". Mas ele vem dizer uma coisa muito importante: costumamos chamar ricos a muitos que não passam de endinheirados. Apliquemos isto ao local onde vivemos e verificaremos que a diferença é muito grande e que faz todo o sentido distingui-los.

«A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos.
Mas ricos sem riqueza.
Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados.
Rico é quem possui meios de produção.
Rico é quem gera dinheiro e dá emprego.
Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro, ou que pensa que tem.
Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.
A verdade é esta: são demasiado pobres os nossos "ricos".
Aquilo que têm, não detêm.
Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros.
É produto de roubo e de negociatas.
Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram.
Vivem na obsessão de poderem ser roubados.»

sábado, 12 de junho de 2010

E as Festas do Povo?

O De Campo Maior, com a oportunidade e qualidade a que nos habituou, vem levantar de novo a questão das Festas do Povo. Não sei se existem projectos ou não para 2011. O que eu penso é que não adianta muito estar a insistir na sua realização sem antes se pensar bem no que é preciso fazer para que elas se tornem uma realização regular desta vila como, ao fim e ao cabo, parece que todos desejam.
No meu entender, as condições em que nasceram e cresceram as Festas, já não existem há muito tempo em Campo Maior. Daí resulta que é preciso encontrar respostas e soluções para as condições actuais desta sociedade. Porque, sejamos honestos para reconhecer que as últimas realizações já escaparam ao figurino tradicional. Se não, vejamos: que significa a necessidade de ter criado uma associação? Não será porque as comissões de rua e a comissão coordenadora nomeada pela Câmara se tinham tornado pouco adequadas para responder às novas condições?
Há por aí quem pense que a melhor solução seria do tipo "ó tempo volta para trás"! Isto é tão disparatado que nem merece ser tomado em consideração. Com a vossa licença, apetece dizer, como diz o povo, "para trás mija a burra". Como manter as coisas como eram no antigamente se o antigamente já não existe?
Ou se procuram novas maneiras de fazer as Festas, ou isto não tem solução.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Esclarecimento

Tendo recebido algumas amáveis censuras por aquilo a que um leitor chama "o meu estilo".
Creio ser chegada a altura de esclarecer que não se trata  de uma fuga, por medo, mas de uma atitude pensada e que tem a ver com o que penso que deve ser a posição deste blogue.
Nem a idade, nem a cultura, que é bem inferior aquilo que eu desejaria que fosse, me permitem ter a presunção de botar grandes sentenças ou de me armar em convencido a ditar grandes conselhos. Quero apenas dizer o que sinto sobre as situações que vão acontecendo. Por feitio, não sou de grandes ataques. Gosto mais de chamar a atenção para o que acho que são erros. E, porque, muitas vezes, são cometidos por pessoas por quem até tenho consideração e alguma estima, procuro que não sejam ataques, mas avisos para que sejam corrigidas as coisas que eu acho que não vão bem. Claro que há gente de quem não gosto, porque não gosto de soberbas autoritárias e atitudes que, disfarçadas de sorrisos e palmadinhas, mais não são do que uma maneira de conseguirem tirar proveito disso. Confesso que mal consigo disfarçar o desprezo e a falta de paciência que tenho para com gente desta laia. Aliás, isso está bem à vista num ou outro post em que tive que andar por esses lados.
Penso que isto bastará para tornar claro que não quero atacar pessoas, nem deitar abaixo seja quem for. Mas não posso deixar de apontar as coisas que correm mal cá na terra. Se isto é um estilo, que seja...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Algo que não faz sentido...

De passagem na rua ouço, uma bem-posta jovem senhora, lamentar na conversa que estava a ter como um seu conhecido: "Olha, estou de baixa. Já não podia mais. Estou morta porque acabe este maldito contrato para ir para o desemprego."
Algo vai mal neste nosso pequeno país "à beira-mar plantado." Afinal, suporta-se o emprego para se atingir o objectivo que é estar no desemprego...?
Eu a pensar em pessoas deprimidas por não conseguirem trabalho... Vou tentar acreditar que estes casos são excepção. Porque, se isto for a regra, teremos de concluir que estamos a viver numa fase de total ausência de vergonha. Estamos a lidar com assumidos parasitas sociais que apenas querem ser sustentados, tendo um mínimo de encargos,  esforços e  preocupações?
Dantes, segundo tenho ouvido, as pessoas revoltavam-se contra o parasitismo dos mais ricos que nada faziam, nada produziam, mas eram os que mais aproveitavam da boa vida à pala de serem eles os proprietários das grandes riquezas. Mas agora vamos revoltar-nos contra quem? Afinal quem é que nos explora mais, a nós os "totós" que ainda ocupamos o nosso tempo, esforço e capacidades a tentar produzir alguma coisa que seja útil para a sociedade?
Tenho cá para mim que algo anda desarranjado no mecanismo desta coisa a que se chama o Estado Social.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Que se passa?

Falar de sabotagem seria muito eficaz dum ponto de vista de má-língua. Mas, seria completamente estúpido do ponto de vista de quem quiser entender e explicar a razão porque acontecem certas coisas aqui, em Campo Maior. Sabotagem precisa de ter uma forte organização, intenções bem definidas e objectivos bem marcados. Ora, isso são coisas que não fazem parte da maneira de ser e de agir de certas criaturas.
Na verdade, seria mais adequado falar de desorientação, bandalheira e desnorte, quando se pensa no que se vai passando a nível da divulgação das realizações culturais. Há actividades que ficam literalmente às moscas e há outras que, por falta das ditas moscas, chegam a ser canceladas. Ora bem... como se explica tudo isto?  Nem cartazes, nem divulgação de qualquer outro género, promovem alguns eventos. E, até a Agenda Cultural parece estar a ser pouco eficaz.
Provavelmente, tudo isto está a acontecer porque alguns não fazem o que deviam fazer. E, se isso acontece, é porque quem devia decidir e mandar, desmanda e consente que tudo se torne esta confusão a que estamos a chegar. Parece que cada um faz o que quer sem que haja quem dite as ordens para o que devia ser feito.
Tudo isto é bastante lamentável pelos efeitos que provoca, pelos prejuízos que implica e, sobretudo, porque se os erros daqueles de quem não gostamos nos dão razão, os erros daqueles que gostávamos de apoiar nos deixam de rastos.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Que se passa com o poder local?

Foi há alguns dias divulgada a situação das autarquias locais, em que ficámos a saber que, em cada dez, uma está falida.
Outros dados mostram que:
1. Os orçamentos aprovados em muitas autarquias foram inflacionados irrealisticamente;
2. As câmaras ultrapassaram o nível de endividamento, tendo, no seu conjunto, aumentado esse valor em 200% entre 2008 e 2009. (Pois é: Eleições à porta)
3. As empresas municipais têm servido para arranjar empregos para os amigos que não cabem nas câmaras (dito pelo Presidente da Câmara de Faro que vai extinguir algumas dessas empresas);
4. A maior parte das empresas municipais não são auto-sustentáveis, de modo que o Secretário de Estado que superintende ao poder local, já disse que estas têm de ser extintas.

No caso das empresas municipais de Campo Maior, devia haver uma clarificação rápida e rigorosa da sua situação financeira e de algumas iniciativas levadas a cabo. Será que se justifica a sua existência? Para quando o esclarecimento sobre este problema à população?

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Ambiente e Biodiversidade

Neste fim de semana, o Jardim Municipal apareceu ocupado pelo Ambiente-Biodiversidade, 2010 que decorre de 5 a 10 deste mês. Aqui está uma iniciativa de louvar, promovida pela Câmara. Dá uma ideia bastante positiva dos movimentos que existem em Campo Maior e daqueles que com Campo Maior se relacionam. É uma mostra interessante e uma boa demonstração de cultura local. 
Apenas se lamenta que até agora tenha havido pouca animação cultural neste espaço. Pelo menos, deveria ter havido, por exemplo, actuação da banda 1º de Dezembro, tão esquecida que ela costa estar!
Que diabo! Há que dar alguma utilidade aquele monstro do coreto que não tem servido para a função que lhe é própria. Aí está um autêntico monumento daquilo que foi o desperdício de dinheiro da anterior gestão do município. Destruiu-se uma parte do nosso património, até bem interessante, para no seu lugar se pôr uma coisa que não tem nem utilidade, nem beleza que a justifique. É difícil entender que interesses estariam por detrás da realização de obras deste género.

domingo, 6 de junho de 2010

A coragem de mandar

Diz o saber popular: Quem tem medo compra um cão. Este dito, julgo eu, pretende significar que os que não tem coragem para assumir certos encargos, não se devem meter com as botas à ribeira. Dito doutro modo, não cabe na cabeça de ninguém que, quem tem de mandar, tenha medo daqueles por quem se deve fazer obedecer. Porque então, os de mais baixa moral, aproveitarão para dominar os que deviam dar ordens e  passam a ser eles a determinar o que se deve fazer. Além disto, medrosos, sem coragem para fazerem cumprir a suas decisões, acabam por serem eles a agir segundo os caprichos e interesses dos se aproveitam da sua fraqueza para dominarem. E, os mais justos, mais competentes e mais disciplinados, tornam-se a vitimas das prepotências, injustiças e maldades, porque os mais vis sabem que não sofrerão as consequências dos seus actos, uma vez que quem devia mandar não tem, nem competência, nem coragem para o fazer.

sábado, 5 de junho de 2010

Mais tiros nos pés?

Quinta-feira de manhã. Para esticar as pernas e matar o tempo passo pela Avenida à hora a que o calor ainda não aperta. Sim, porque, com a falta de sombras que ali se verifica, devido às raquíticas árvores que ali puseram, tornou um local antes bastante fresco, no calor sufocante que lá se respira agora. Sou surpreendido com uma fila de gente mais velha que espera pacientemente, sentados em cadeiras, enquanto outros são atendidos numa tenda e numa carrinha identificada como sendo da Universidade Fernando Pessoa, da cidade do Porto. Soube isto por um senhor que me deu algumas explicações sobre o que se estava a passar. E pasmo! Então, onde está a informação a divulgar uma oferta dum rastreio tão importante para a gente mais idosa? Como pode vir a Campo Maior uma missão tão útil e ser tão pouco divulgada? Senti alguma vergonha junto do senhor que me informava e que lamentava que não houvesse melhores condições. É que o Sol ia subindo e a pouca sombra desaparecendo. Daí a pouco, não havia quem pudesse suportar a espera até chegar a sua vez de ser atendido.
À atenção dos responsáveis: desperdiçar ocasiões destas é dar tiros nos pés, como se costuma dizer.